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Envio Missionário de Dom Edson

Na noite desta terç~feira, dia 17 de dezembro, na Catedral Cristo Rei, Dom Walmor presidiu a missa de envio de Dom Edson Oriolo para Diocese de Leopoldina. A celebração contou com grande número de padres e fièis. Ao final as forças vivas da Rensc, preparam uma homenagem para Dom Edson. Foi um momento muito emocionante que contou também com a participação dos coroinhas.

Após a homília de Dom Walmor Dom Edson proferiu palavras de agradecimento:

Gratidão na conclusão da missão como Bispo Auxiliar de Belo Horizonte

 

Agradeçam a Javé porque ele é bom, porque a sua misericórdia é para sempre

(Sl 118)

 

 

Neste momento singular da caminhada, meu coração está repleto de gratidão a Deus e a todos vocês que formam a Igreja de Belo Horizonte. Credito como valorosa a leitura histórica da realidade. Aprecio a coleção e rememoração dos fatos, pois é por meio deles que percebemos o mistério da ação de Deus, sutil e inconfundível, nas teias da vida. Sempre entendi que existe uma sincronia da ação de Deus em nossas vidas, no tempo e no espaço. Na vivência dinâmica da história salvífica revelada, também nós escrevemos a história de nossa própria salvação.

No dia 24 de julho de 2015, na paróquia são Cristóvão, do conjunto I.A.P.I., eu era carinhosamente acolhido nesta Igreja Particular, como bispo auxiliar. Dom Walmor presidia aquele momento como pastor próprio desta Igreja. Presentes os irmãos bispos auxiliares, alguns sacerdotes da arquidiocese e visitantes e, de maneira particularmente expressiva, os padres da Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição e inúmeros representantes das várias paróquias e comunidade eclesiais missionárias.

Naquela ocasião, os senhores não me conheciam. Eu era apenas uma expectativa ou o resultado de um conjunto de conclusões, menos ou mais exatas. Ignoravam a eclesiologia que me motivava e, em razão disso, a presença de cada qual significava um gesto de comunhão, de confiança na graça e de esperança no futuro desta arquidiocese. Confesso-lhes que, naquele dia, também eu estava notoriamente assustado e tímido. Assumia uma enorme responsabilidade, como servo e discípulo, na sucessão apostólica, em uma realidade que me parecia totalmente adversa e, talvez, inatingível em sua complexidade. Tinha a consciência de que a missão ainda que sublime, seria árdua.

Na celebração de início de meu ministério, no momento da homilia dom Walmor afirmou que eu tinha sido corajoso em abandonar tudo o que tinha construído até aquele momento para viver o ministério episcopal na arquidiocese de Belo Horizonte. Foi além, ao citar Abraão, que acolheu um desafio imenso numa atitude de fé. Olhando para mim, ainda declarou que “a minha presença na arquidiocese de Belo Horizonte era uma atitude de fé e que o bom Deus me tinha chamado para esse desafio”. Hoje posso revelar, meu ser estava naquela celebração, mas o coração continuava na arquidiocese de Pouso Alegre. Meus expedientes racionais lembravam a expressão de Fernando Pessoa “navegar é preciso” e brotavam sentimentos indicativos de que mudar era preciso, sair era preciso. Abraão saiu, os profetas saíram. A Virgem Maria saiu, Jesus saiu. Os apóstolos saíram, era preciso eu saísse para navegar, mudar e encarnar.

No momento dos agradecimentos, sem saber bem como me expressar, partilhei minha expectativa, servindo-me da imagem da mesa, símbolo da história que construí como pessoa e sacerdote. Elencava, então, a experiência de:


a) Estar á mesa com meus familiares; b) Estar sentado à mesa da família sacerdotal na arquidiocese de Pouso Alegre; c) Estive à mesa no seminário arquidiocesano de pouso alegre, cuidando dos estudantes de filosofia, lecionando e) estar à mesa em várias instituições educacionais lecionando; d) Sentei-me à mesa na paróquia de Ouro Fino, Borda da Mata e Catedral de Pouso Alegre.

 

 

Conhecia muito bem essas mesas que proporcionaram, durante 50 anos de vida e 25 anos de sacerdócio, que então contava, a convivência e a partilha que me fizeram uma pessoa realizada e feliz no ministério. Eu já havia aprendido qual era o melhor lugar, isto é, qual a minha cadeira, tendo por critérios minhas aptidões e os limites de minha personalidade. Mas, a Providência Divina, através do convite do Papa Francisco, fez com que eu me levantasse dessas mesas que me eram habituais, para assentar-me em outra, que eu não escolhera.

Chegando à arquidiocese de Belo Horizonte, embora com a consciência de que diferentes seriam a mesa, os lugares e os comensais, superando toda apreensão, fui recebido com muito carinho. Dom Walmor, com a sutileza de grande líder, não demorou em propor novas cadeiras onde, com toda liberdade, eu pudesse sentar para cumprir minha missão como bispo auxiliar: destaco o trabalho como referencial para a Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição, no COGEM, na Pastoral do Dízimo e em tantos outros campos de ação evangelizadora.

Nessas muitas cadeiras, da mesa única em que a arquidiocese de Belo Horizonte vive o ideal cristão e cumpre a sua missão, aprendi muito a convivialidade, a colegialidade, a amizade, a fraternidade, a proximidade, o perdão, a compreensão, a generosidade, facetas da misericórdia que testemunhei e anunciei com alegria como lema do meu episcopado. Em síntese, seguramente, recebi bem mais do que conseguiria ofertar. Foram poucos anos para um enorme aprendizado. De alguma forma, a Igreja de Belo Horizonte será sempre a minha mesa, pois foi aqui, de sua complexidade, riqueza e fecundidade, que forjei o coração de pastor.

Porém, como parte do caminho e da missão, o mesmo papa Francisco que, em sua solicitude, me designou para essa família arquidiocesana, onde pude servir ao Povo de Deus, em comunhão filial e fraternal como auxiliar de nosso arcebispo dom Walmor, em sinergia com os demais bispos auxiliares, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, envia-me para Igreja Particular de Leopoldina, como o oitavo bispo diocesano.

Assim sendo, só tenho que agradecer por esses quatro intensos anos vividos nessa venturosa arquidiocese. As cadeiras onde sentei, nesta mesa em que tive a oportunidade de conviver, fizeram-me uma pessoa melhor, um sacerdote mais dedicado e um pastor mais amoroso e atento aos sinais dos tempos. Nesta mesa, eu pude ser um de vós. O que mais me encanta e comove, fazendo uma leitura destes quatro anos, é como fui compreendido e ajudado pelo senhor arcebispo, pelos demais bispos, padres, fiéis leigos e leigas, que concorreram para que eu descobrisse o meu lugar à mesa e ser feliz em minha missão.

Percorri toda a Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição e grande parte da arquidiocese de Belo Horizonte, fazendo a experiência de estar à mesa, sobretudo na partilha das mesas da Palavra, da Eucaristia e da Caridade. Aprendi que o alimento da


nossa espiritualidade está abundantemente presente na mesa, através da vida de oração, do amor à Palavra de Deus e à Eucaristia e em uma porção do Povo de Deus em estado permanente de missão.

A variedade de cadeiras que encontrei, como expressão da realidade multifacetada, e por vezes complexa, da megalópole e sua região metropolitana, se antes me amedrontava, concluo que só me amadureceu e fez crescer na eclesiologia, permitindo- me concluir com o Apóstolo Paulo: “Como há somente um Pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo, pois todos participamos de um único Pão” (1Cor 10,17)

Assim, de forma simples, quero agradecer ao bom Deus pela oportunidade de exercer as primícias do meu episcopado nessa amada arquidiocese de Belo Horizonte, podendo alargar meus horizontes e cimentar convicções, inspirando-me no gigantismo dos grandes pastores que governaram essa sede e da vitalidade da fé de seu clero e fiéis leigos e leigas.

Expresso, portanto, meus sinceros agradecimentos a dom Walmor que, desde a minha nomeação e, de forma particular, nesses mais quatro anos de episcopado acolheu- me, com sinais evidentes de carinho e abertura de coração, possibilitou-me “avançar para águas mais profundas” no entendimento efetivo e cordial do que significa a missão episcopal.

Gratidão aos irmãos bispos com os quais compartilhei a missão de auxiliar: dom Luis Gonzaga, dom João Justino, dom Otacílio e, presentemente, dom Mol, dom Geovane e dom Vicente, que com sua amizade e convivência, na riqueza de suas experiências, levaram-me a pensar e repensar práticas pastorais e impactos eclesiológicos da evangelização no mundo contemporâneo.

Agradeço aos sacerdotes da arquidiocese de Belo Horizonte e, de maneira especial, ao clero da Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição, que de maneira afetiva e efetiva ensinou-me a entender e vivenciar a beleza vital da diocesaneidade. Agradeço as forças vivas das paróquias, comunidades e pastorais em cuja mesa tive a oportunidade de assentar-me para professar, vivenciar e proclamar a Palavra de Deus.

Digo-lhe que deixar a arquidiocese de Belo Horizonte neste momento, por obediência à Igreja e o Papa Francisco, significa mais que uma renúncia. Significa uma entrega aos desígnios da Divina Providência. Tenho repetido sempre em oração: “seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu”. O abandono nas mãos do Pai da Misericórdia, pelas mãos carinhosas da Senhora da Piedade, uma vez mais, me tranquiliza e fortalece.

 

Ao retirar-me do serviço pastoral nesta arquidiocese para assumir a função de pastor do sudeste de Minas, como bispo de Leopoldina, levo comigo o tesouro de um grande aprendizado, de uma convicção forjada nestes anos de episcopado na capital mineira: mudam-se as cadeiras, alternam-se lugares e responsabilidade, varia-se os interlocutores na convivência e partilha da vida e vocação, mas sempre estaremos assentados em uma única mesa que é a Igreja de Jesus Cristo.

Quero concluir afirmando: preciso que continuem rezando por mim. Não se trata de uma figura de linguagem: sou uma pessoa fraca e com inúmeras limitações para uma missão tão elevada. Peçam a Deus por mim, para que possa responder à bondade de


Deus, vivendo de tal modo que minha vida seja um anúncio corajoso e alegre da sua misericórdia.

 

 

 

 

Dom Edson Oriolo

Texto proferido - Envio Ministério Catedral Cristo Rei – Belo Horizonte – MG

17 de dezembro de 2019